Não estou achando o link pro blog do rapaz incrível que escreveu o texto, vou ter que procurar, depois vou postar .
www.minimosobvios.blogspot.com
Existe ternura, saiba. Eu só percebi no meio do trânsito que persistir ou insistir ou ainda decidir a nossa vida não se trata apenas de mim. Quando uma das partes, por motivos infinitos, diz não, algo maior do que o orgulho, algo maior que a dor da recusa, algo maior que bater os pés no chão e mais uma vez tentar, algo maior que eu não sei o nome, precisa nos conduzir além da estrada. O que eu quero te dizer é que eu não havia compreendido que eu te amo sozinha e sem conjugação. Na minha ilusão romântica, você sempre me pareceu alguém que correspondia da sua maneira particular, o meu particular querer. Na minha inexplicável sede do um mais outro, eu criei rios insaciáveis que não refletiam mais do que o desejo no singular. E eu ainda me encontro entre o estático e o quase triste, feito um emo ou qualquer estereótipo similar. Sem saber agir para nenhuma direção. Sem refletir. Sem conseguir dar nome aos nomes do sentir. Sem saber se bomba ou calmaria, explosão ou estilhaços. Existe doçura e existe amor também, esse mínimo óbvio. Mas ando entre a inércia e o não agir. E não há aflição mais aguda que o não saber.
Eu te dizia da sensação sem nome que me assalta a razão. Da necessidade de fazer acontecer. Do não desperdício. Do brinde e do grito. Do silêncio aflito e da terra molhada. Te dizia que existe tanto entre nós que me ata, que me faz caminhar em círculos. Das rosas e dos tons. Do início, do meio, do fim e de todo recomeço que a gente nasceu sem o mapa. Da esquerda, da direita e das outras opções. Do banho de chuva.
Do toque e do arrepio, dos olhos e dos navios e da aquarela, eu desenho um sol amarelo, que descolorirá para que se cumpram os destinos.
Eu quero parar a cidade e declamar os melhores poetas sem parecer inteligente ou atrevido. Poesia na medida do possível ou uma cachaça para esquentar e balançar o chão, música para te dançar, canções para te afirmar a juventude e as pistas, o suor, aquela euforia que é contagiante e efêmera. A intimidade das pernas, a coreografia dos corpos, o arrebatador instigar, de toques e reações, consentir, permitir, a troca de vida, não peça permissão para entrar ou sair de mim. A propriedade conquistada.
De toda a nossa coleção de momentos, hoje eu quero te dizer que tudo é possível. Dentro ou fora de uma lógica, in or out, dear. Quer ser meu companheiro de viagem? Embriagado de nós dois, não vou te ouvir responder. Diga sim, precisamos de pouco. Basicamente eu e você. Os detalhes a gente vai tecendo, as dificuldades a gente vai sorrindo, as delicadezas a gente vai se apropriando, o amor a gente vai cuidando. Como ontem, como hoje. Como agora.
Te dizia do que não existe entre nós. Do que é palavra, mas não se basta como verbo, substantivo, gramática. É íntimo. Sensações. Sentimentos. Do que nos faz sorrir, do que nos tomba lágrimas, do que nos faz dançar e nos move. De dentro para fora. Mexe com o humor, o apetite, os desejos. Mexe com a saúde, a saudade, o que é simples.
Algo entre um lago em dia de verão e a escala Richter em último nível. Do desejo de correr, gritar e voar. Dos efeitos mais comuns de sentir raiva, bater o telefone, xingar. Um ato sexual não coreografado. A mesa pronta para o jantar com todos os elementos românticos em ordem, você leu em algum lugar.
Do embolar e do encaixar.
Dos raios e das tormentas.
Do agora e do instante.
Essas palavras.
Esse ponto final que encerra o texto. E nos leva adiante.
Eu te dizia tudo isso sem dizer.
E você não me disse que.
E eu te disse.
E você não me.
Mas eu.
E você.
Chega desse xarope amargo.
Mas chega mesmo , por favor (essa frase é minha ! Prá você ! ).
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