quinta-feira, 21 de agosto de 2008

somente notícias

Tenho um primo que está muito doente. Daqui a pouquinho ele vai ser operado. É câncer. Galopante. Fui ver ele no sábado passado e ele está tão tranqüilo, tão sereno. Existem pessoas especiais.
Eu nunca pensei que a serenidade pudesse ser brutal, mas pode. A serenidade dele é um soco no estômago de coisas tão bobas quanto as minhas preocupações.
E essa noite eu perdi o sono, pensando no meu primo e em outras bobagens. Por que deixamos as bobagens acompanhar as coisas importantes ? Eu queria ter pensado só nele, nas coisas legais que fizemos juntos e nos momentos bons que tivemos. Eu pensava na cirurgia também, na vida sendo decidida ali: uma mesa, médicos e a vida. Talvez indo embora. Pensei também no trabalho, ai que raiva !
Com certeza, o meu querido Rogério foi a pessoa com quem mais fiz planos. E não realizei.
Tantas viagens eu imaginei, tantos momentos eu quis dividir, tantas coisas eu quis contar prá ele ... mas sempre tinha o trabalho, os filhos, o marido e até meus pais. Eu sempre me dedicando tanto a tantas coisas e deixando de lado aqueles meus desejos tão sinceros, tão importantes ... e agora,talvez, ele vá embora.
Mas ele viveu. Ah, ele fez as coisas que quis. 36 anos. Somente 36 anos e tantas coisas realizadas. E tanta serenidade. Nunca mais vou deixar meus desejos para um futuro distante. Talvez a realização de nossos desejos nos traga a serenidade.

Desculpe se não são notícias de alegria. A vida não é só alegrias. Eu estou aprendendo esse capítulo só agora e, no início, a lição é mais difícil.

Um beijo muito grande, um abraço muito forte.
Margot

terça-feira, 12 de agosto de 2008

"Como nossos pais"

O relógio lá em casa toca às seis da manhã. Seis e cinco toca de novo e me avisa que não tem mais jeito, ou levanta ou os filhos chegam atrasados na escola, eu e o maridex atrasados no trabalho. Então eu pulo da cama e naqueles 25 minutos, porque seis e meia da manhã nós temos que vazar, eu ajudo os filhos e me arrumo ao mesmo tempo e enquanto tudo acontece eu canto. Nada melhor do que acordar cantando.
Mas hoje o Matheus me disse: mãe, por que tu canta sempre fora do ritmo?
Bom , abalou geral.
Eu respondi: filho, pelamordedeus, não diz que a mãe canta fora do ritmo, porque eu não acho que tá fora do ritmo.
- Mãe, mas tu muda o ritmo da música!
E eu, pobrezinha de mim, fui confrontada com a dura realidade da vida:
- Filho, minha vida inteira minha mãe mudou o ritmo das músicas e eu detestava isso. Por favor, não me diz que eu tô fazendo igual.
E ele de novo, prá acabar:
- Mãe , mas tu tá fazendo !!!!!

Buáááááááááááááááááá

Mas a "Mina do Condomínio" tava tão certinha agora que aprendi a letra...

Eu igual a minha mãe, meu filho igual a mim , ai, ai, ai.